COMPROMISSO SOCIAL X LEITINHO DAS CRIANÇAS

A classe média que odeia classe média possui um compromisso social cravado em sua própria existência. Na verdade, sejamos todos aqui bem honestos, eles apenas alegam isso, já que quase nunca lavam a própria louça, separam o próprio lixo ou fazem o mínimo do mínimo. Mas, enfim, gostam de dizer que são comprometidos COM A CAUSA.
E assim, quando podem, metem o pau em tudo que está ERRADO com o mundo e o universo. Aquecimento global? Declaração preconceituosa? Enchentes? Lucros corporativos exorbitantes? Escândalos sexuais? Nada escapa da patrulha comprometida com “o social”. Nem mesmo uma roupa cafona, quando se trata de algum inimigo público.
EXCETO - sim, há exceções - quando a mancada é cometida por alguém da mesma empresa. Porque, é claro, os paladinos “do social” trabalham - quer dizer, recebem a contraprestação financeira referente ao que DEVERIAM fazer em termos laborais. E, para não perder a colher-de-chá, um dos cuidados essenciais é não falar mal de colegas e, sobretudo, patrões.
Vejam, por exemplo, o caso recente de Boris Casoy. Ele ofendeu gratuita e frontalmente os garis. Jornalistas, repórteres e redatores ligados à BAND, todos eles diariamente comprometidos com a JUSTIÇA SOCIAL, não falarão nada. Ou - o que não é raro - talvez até o defenderão. Porque precisam cuidar do emprego. É compreensível. A “causa” é importante, de fato, mas e o leitinho das crianças?
Em alguns casos, nem podemos acusá-los de mercenários. Defendem esses trastes até por amizade. Aquele receio brasileirinho de “pegar mal” na hipótese de emitir uma opinião contrária, transformado em suposta coragem de divulgar exatamente opinião favorável a quem obviamente agiu de forma bizarra. Não, isso não é coragem: é covardia. Para uso externo, dá-se a impressão de independência ideológica, mas no fundo é medo de não perder o amigo. Ou o salariozinho.
No dia seguinte, em blog ou Twitter, reclamam novamente de corporações, políticos e tantos inimigos da sociedade, causadores de todo o mal do mundo. Falam também da classe média, que sempre pensa em si própria antes de pensar “NO SOCIAL”.
Ah, sim. Não há leitinho de criança, e raramente há criança (fora uns filhinhos feios amaldiçoados pela genética). A grana é pra Bohemia (cerveja de classe média que odeia classe média) e pra comprar ingresso pra show (quando não conseguem de graça na base do “orra, bicho, sô imprensa”).
Isso é uma vergonha?