ESCOLARIDADE, ORGULHO E PRECONCEITO

A classe média que odeia a classe média não aceita que se discuta a escolaridade de Lula. Ou melhor: a falta dela. Corrigindo: sua quase inexistência. Alegam que se trata de “preconceito”, quando na verdade não é nada disso. Preconceito é dizer que uma pessoa não teria capacidade de exercer uma tarefa por conta da cor de sua pele. Mas discutir a capacidade em razão do preparo escolar não é algo preconceituoso, mas sim a adoção de um critério objetivo - que pode ou não ser correto.
Eles são contra, assim como são contra a classe média (ainda que façam parte dela). Desse modo, assinam longos ensaios provando por “A + B” as virtudes do operário sem estudo, quase como se aplicassem à política o raciocínio do “bom selvagem”, de Rosseau. Mas não chegam a tanto. Apenas dizem algo como “o cabra é bão”, mesmo.
O melhor, sem dúvida, fica por conta da assinatura. Ao fim dos artigos, fazem questão de incluir suas titulações, não importa se são conseguidas na puxação se saco, camaradagem ou mesmo por meio de teses e/ou dissertações pra lá de risíveis.
Em síntese, fica algo assim: “é possível presidir a república sem qualquer título universitário, e quem diz isso sou eu, pois não escreveria este artigo se não fosse professor doutor e livre-docente”.
Para eles, é mais importante ter formação acadêmica para escrever num blog ou debater num boteco. O país? Ah, ele que se foda.
Coisas da classe média que odeia a classe média.