ROBERTO CARLOS: MODO DE USAR

A classe média que odeia a classe média também odeia Roberto Carlos. A classe média que odeia a classe média também AMA Roberto Carlos. Mas é preciso entender o negócio. O Roberto Carlos amado nunca é o Roberto Carlos contemporâneo.
Na época da Jovem Guarda, não gostavam e fim de papo. Depois, quando mudou seu repertório para as músicas românticas, diziam que bom mesmo era quando fazia algo mais jovem. Daí, nos anos 80s, passaram a elogiar alguma coisa da produção setentista, mas nunca nada daquela década. E assim foi de 1991 a 2000.
O que fazem hoje? A mesma bosta.
Roberto Carlos bom é Roberto Carlos antigo. Mas isso é bobagem. Porque gostar de Roberto Carlos está no sangue ou, por outra, no DNA da classe média. E seus odiadores não conseguem ficar sem isso. A saída, portanto, é apelar para essa mistura de memória afetiva e resgate cultural.
Qual nada. Paixão de macaca de auditório. Classe média em estado bruto. Do “Calhambeque” à “Mulher Pequena”. Gostam de tudo.