December 1, 2009

JORNALISTA ALTERNATIVO

Como já discutimos, jornalistas são o maior nicho de classe média a odiar a classe média. Desde as surras no colégio, seguindo para a perda das gostosas na faculdade, culminando para a época em que montam blogs e continuam como os eternos perdedores do mundo. Sempre odeiam, odeiam, odeiam.

Mas há algo pior: o jornalista alternativo, que se julga à margem de uma categoria já um bocado marginalizada. É mais ou menos como um “lixeiro do contra” ou um “mendigo que não se dá bem com o resto da categoria pedinte”. Claro que qualquer um, de fora, morre de rir. Mas eles se levam a sério - e isso só faz aumentar a graça da coisa.

A grande maioria, claro, passa anos e anos nos grandes veículos, xingando-os covardemente nos bares, depois de algumas doses. Quem faz isso? Ora, a classe média! Xingar o chefe é o esporte favorito de qualquer integrante da classe média. Nem juiz, em dia de clássico, ganha tantos palavrões. É esse, portanto, o “Jornalista Alternativo”. Desce o porrete na “grande mídia”, mas não tem colhão (eles escrevem “culhão”, com “u”) para pedir as contas.

Mas, é verdade, às vezes são demitidos. E aí repetem em blogs ou outros espaços aquilo que só se ouvia em botecos relativa e cuidadosamente sujos. Xingam a mídia má (que o sustentou por anos e da qual não se desligou por pura falta de hombridade). E xingam também a classe média que sustenta essa mesma mídia (e o sustentava durante todos esses anos).

A foto do início do texto serve para mostrar como eles se vêem, mas na verdade eles são como na imagem a seguir. E a moça bonita é aquela que vez por outra está por perto, ou para filar maconha ou simplesmente porque dá status estar por perto. Mas ele nunca vai comer. Assim como no colégio e na faculdade, ela prefere o bonitão ou o mais rico.

O Jornalista Alternativo não nasceu pra macho alfa. Daí talvez sua raiva mais furiosa, descontada um pouco no mundo, outro pouco na classe média, dando início ao alcoolismo disfarçado de “rebelde”, mas que no fundo é puramente melancólico.

São pessoas tristes. Mas o humor involuntário obviamente supera qualquer piedade. E caímos na gargalhada. Eles sabem disso e usam a arrogância como um escudo esquisito. Melhor assim.